quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A História de Xangô

Na África sob seu aspecto, histórica e divina. Xangô teria sido o terceiro Álááfin Óyó – Rei de Oyó – filho de Oraniann e Torosi, a filha de Elempe, rei dos Tapás, que havia firmado uma aliança com Oranian. Xangô cresceu no pais de sua mãe, indo instalar-se mais tarde, em Kóso (Kossô), onde os habitantes não o aceitaram pelo seu caráter violento e imperioso, mas ele conseguiu, finalmente impor-se por sua força. Em seguida acompanhado pelo seu povo, dirigiu-se para Oyó, onde estabeleceu um bairro que recebeu o nome de Kossô, conservou assim seu titulo de Obá Kóso que com o passar do tempo veio a fazer parte de seus oríki.
Xangô no seu aspecto divino permanece filho de Oranian divinizado, porém tendo Yamase como mãe e três divindades como esposa: Oyá, Oxum e Obá.
Xangô é o irmão mais jovem, não somente de Dadá-Ajaká como também de Abaluaiyé. Entretanto ao que parece não são os vínculos de parentesco que permitem explicar a ligação entre ambos, mas sua origem comum em Tapá, lugar onde Abaluaiyé seria mais antigo que Xangô e por diferencia para com o mais velho, em certas cidades com Saketé e Ifanhim são sempre feitas oferendas a Abaluaiyé na véspera da celebração das cerimonias para Xangô.
Xangô é viril e atrevido, violento e justiceiro, castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. Por esse motivo, a morte pelo raio é considerada infamante. Da mesma forma, uma casa atingida por um raio é uma casa marcada pela cólera de Xangô. O seu proprietário deve pagar pesadas multas aos sacerdotes do orixá que vêm procurar nos escombros os Édúm ára (pedra de raio) lançados por Xangô e profundamente enterrados no local onde o solo foi atingido.
Esses Édúm ára (na realidade, machado neolíticos) são colocados sobre um pilão de madeira esculpida (Odó), consagrado a Xangô. Tais pedras são consideradas emanações de Xangô e contém o seu áse (axé), o seu poder.
Esse axé parece ser a estilização de um personagem carregando o fogo sobre a cabeça, este fogo é ao mesmo tempo o duplo machado e lembra de certa forma cerimônia chamada ajere, na qual se iniciados de Xangô devem carregar na cabeça uma vasilha cheia de furos.
Os adeptos de Xangô em cerimônia seguram nas mãos o Xere, um instrumento musical utilizado apenas por ele (desde que autorizado) feito de cabaça alongada e contendo no seu interior pequenos grãos que convenientemente sacudido imita o ruído da chuva.
No Recife seu nome serve mesmo para designar o conjunto de cultos africanos.
Suas cores são o vermelho e branco (marrom e bege o mais velho) e sua saudação é:
Kawó Kabiyesilé! Traduzindo Venha ver o Rei descer sobre a terra.
Em sua dança, o Alujá, Xangô brande orgulhosamente seu Axé.
QUALIDADES
1)      Dada                                 6) Jakuta
2)      Afonjá                              7) Aganju
3)      Lubé                                 8) Baru
4)      Ogodo                              9) Oloroke
5)      Koso                               10) Airá Intile
Xangô Airá (agoynham) Afonjá, Aganju, Agodo, Baru, Alafim.
Alguns constam ainda Oriniam, que seria seu pai, Dada seu irmão, Aganju um dos seus sucessores, Ogodo que segura dois Oxés, sendo o seu édun árá composto de dois gumes e é originário de tapa. Os Airá seriam muitos velhos sempre vestidos de branco e usando segi (contas azuis) em lugar de coraes vermelhos e seriam originário da região de Savé, Xangô em seu avatar Ayrá é a força representada pelo som do Trovão e no avatar Aganju e a terra firme. É um orixá que representa o poder em todas as suas dimensões, da riqueza, da saudação, da justiça, da força física, da inteligência. É irmão de ogum por parte de mãe e também de Oxossi, sendo um filho mais caseiro e próximo de Iemanjá.
Característica do filho de Xangô
O arquétipo de Xangô é aquele das pessoas voluntariosas e enérgica, altiva e concientes de sua importância real ou suposta. Das pessoas que podem ser de grandes senhores, corteses, mas que não toleram a menor contradição, e, nesses casos, deixam-se possuir por crises de cólera, violentas e incontroláveis. Das pessoas sensíveis ao charme do sexo aposto e que se conduzem com tato e encanto no decurso das reuniões sócias, mas que podem perder o controle e ultrapassar os limites da decência. Emfim. O arquétipo de Xangô e aquele das pessoas que possuem um elevado sentido de sua própria dignidade e das suas obrigações, o que leva a se comportarem com misto de severidade e benevolência, segundo o humor do momento, mas sabendo guardar, geralmente, um profundo e constante sentimento de justiça.
Os filhos de Xangô são sempre ouvidos em certas ocasiões por gente mais importante que eles e até mesmo quando não são considerado especialista no assunto ou de fato capacitado para emitir opinião, a postura pouco nobre dos filhos de Xangô e seu cultivo de hábitos considerados aristocráticos ou pouco burgueses e resultado dessa configuração psicológica.
Em síntese o arquétipo associado a Xangô esta próximo do déspota esclarecido, aquele que tem o poder, exerce-o inflexivelmente, não admite duvidas em relação a seu direito de dete-lo, mas julga a todos segundo um conceito estrito e sólido de valores claros e pouco discutíveis. E variável no humor, mas incapaz de conscientemente cometer uma injustiça, fazer escolha movido por paixões, interesses ou amizades.
Xangô e o rixa julgador, destruidor, inteligente, impulsivo, violento. Representa o poder transformador do fogo e o padroeiro dos intelectuais e artistas.    
O ossé de Xangô e realizado na quarta-feira e entre os seus objetos estão uma gamela de madeira colocada sobre um pilão, onde esta o Óta, a pedra que contem seu axé, moedas de cobre e seus segredos.

XangôDeus do fogo e do trovão. Diz à tradição que foi rei de Oyó, cidade da Nigéria. É viril, violento e justiceiro. Castiga os mentirosos e protege advogados e juízes.

Elemento:
fogo
Personalidade: atrevido e prepotente
Símbolo: machado duplo (oxé)
Dia da semana: quarta-feira
Colar: branco e vermelho
Roupa: branca e vermelha, com coroa de latão
Sacrifício: galo, pato, carneiro e cágado
Oferendas: amalá (quiabo com camarão seco e dendê).
    
 

Odudua, um guerreiro que vinha de uma cidade do Leste, invadiu com seu exército a capital do povo chamado Ifé. Esta cidade depois se chamou Ifé, quando Odudua se tornou seu governante.
Odudua tinha um filho chamado Acambi e Acambi teve sete filhos e seus filhos ou netos foram reis de cidades importantes. A primeira filha deu-lhe um neto que governou Egbá, a segunda foi mãe do Alaketu, o rei de Keto, o terceiro filho foi coroado rei da cidade de Benim, o quarto foi Orungã, que veio a ser rei de Ilê Ifé, o quinto filho foi soberano de Xabes, o sexto, rei de Popôs, e o sétimo foi Oraniã, que foi rei de Oyó.
Esses príncipes eram vassalos do rei de Ilê Ifé, que então se transformou no centro de um grande império, cujo nome era Oyó. Odudua era o grande rei de Oyó. Ele unificou as mais importantes cidades daquela região, mais tarde conhecida como sendo a terra dos Iorubas. Em cada cidade ele pôs no trono um parente seu.
Ele foi o grande soberano dos reinos Iorubas. Ele foi chamado o primeiro Alafim, o rei de Oyó. Quando Odudua morreu, os príncipes fizeram a partilha dos bens do rei entre si e Acambi ficou como regente do império até sua morte, nunca tendo sido, contudo, coroado rei do império. Nunca lhe foi atribuído o título de Alafim.
Com a morte de Acambi, foi feito rei Oraniã, o mais jovem dos príncipes do império, que tinha se tornado um homem rico e poderoso. A ancestral Ilê Ifé era a capital dessa vasta região conhecida como Oyó. O Alafim Oraniã foi um grande conquistador e solidificou o poderio de Oyó.
Um dia Oraniã levou seus exércitos para combater o povo que habitava uma região a leste de seu império. Era uma guerra muito difícil, mas, antes de ganhar a guerra, o oráculo o aconselhou a estacionar com os seus homens, pois ali ele haveria de muito prosperar. Assim foi feito e aquele acampamento a leste de Ilê Ifé tornou-se uma cidade poderosa.
Essa próspera povoação foi chamada cidade de Oyó e veio a ser a grande capital do império fundado por Odudua. Com a morte de Oraniã, seu filho Ajacá foi coroado terceiro Alafim de Oyó. Ajacá, que tinha o apelido de Dadá por causa de seu cabelo encaracolado, era um homem pacato e sensível, com pouca habilidade e nenhum tino para governar.
Dadá-Ajacá tinha um irmão que fora criado na terra dos nupes, um povo vizinho dos Iorubas, filho de Oraniã com a princesa Iamassê, embora haja quem diga que a mãe dele foi Torossi, filha de Elempê, o rei dos nupes, também chamados tapas. Esse filho de Oraniã era Xangô, grande guerreiro, que fundara uma pequena cidade chamada Cossô, nas cercanias da capital Oyó.
Xangô, que era o rei de Cossô, uma cidade tributária de Oyó, um dia destronou o irmão Ajacá-Dadá, e o exilou como rei de uma pequena cidade, onde usava uma pequena coroa de búzios, chamada coroa de Baiani. Xangô foi assim coroado o quarto Alafim de Oyó, governando o império de Odudua e Oraniã por sete anos.
Quando Xangô morreu, e dizem que foram obrigados a se enforcar num momento de crise de seu império, seus ministros procuraram seu corpo e não encontraram. Compreenderam então que ele tinha entrado para o Orum e instituíram seu culto. Xangô havia se transformado em Orixá.  
                                             
KAÔ KABECILE

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